sábado, 6 de outubro de 2012

#Tdc02: Os significados das primordiais experiências do homem

1. Pode dizer-se que a análise dos primeiros capítulos do Génesis nos obriga, em certo sentido, a reconstruir os elementos constitutivos da original experiência do homem. Neste sentido, o texto javista é, pelo seu carácter, uma fonte especial. Falando das originais experiências humanas, pensamos não tanto no seu afastamento no tempo, quanto e mais ainda no seu significado fundamental. O importante não é, por conseguinte, que estas experiências pertençam à pré-história do homem (à sua «pré-história teológica»), mas que elas se encontrem na raiz de toda a experiência humana. É isto verdade, se bem que a estas experiências essenciais, na evolução da ordinária existência humana, não se preste muita atenção. Elas, de facto, encontram-se tão ligadas às coisas ordinárias da vida, que em geral não damos conta de serem extraordinárias.

Baseados nas análises até agora feitas, pudemos dar-nos conta de, aquilo que chamamos no princípio «revelação do corpo», nos ajudar dalgum modo a descobrir o extraordinário do que é ordinário. Isto é possível porque a revelação (a original, que encontrou expressão, primeiro na narrativa javista de Génesis 2-3, e depois no texto de Génesis 1) considera precisamente essas experiências primordiais em que aparece de maneira quase completa a absoluta originalidade daquilo que é o ser humano varão e mulher: enquanto homem, isto é, também através do seu corpo. A experiência humana do corpo, tal como a descobrimos nos textos bíblicos citados, encontra-se sem dúvida no limiar de toda a experiência «histórica» sucessiva. Parece todavia basear-se em tal profundidade ontológica, que o homem não a capta na própria vida quotidiana, embora, entretanto e em certo modo, a pressuponha como parte do processo de formação da sua imagem.

2. Sem tal reflexão introdutória, seria impossível precisar o significado da nudez original e realizar a análise de Génesis 2, 25, que diz assim: Estavam ambos nus, tanto o homem como a mulher, mas não sentiam vergonha. A primeira vista, o aparecer este particular, aparentemente secundário, na narrativa javista da criação do homem, pode parecer coisa sem valor e mesmo fora de propósito. Poderia julgar-se que a passagem citada não tem comparação com aquilo de que tratam os versículos precedentes e que, em certo sentido, não se harmonizam com o contexto. Todavia, este pensamento não resiste a uma análise aprofundada. Com efeito, Génesis 2, 25 apresenta um dos elementos-chaves da revelação original, tão determinante como os outros textos do Génesis (2, 20 e 2, 23), que já nos permitiram precisar o significado da solidão original e da original unidade do homem. A estes vem juntar-se, como terceiro elemento, o significado da nudez original, com clareza posto em evidência no contexto; e ele, no primeiro esboço bíblico da antropologia, não é coisa acidental. Pelo contrário, forma precisamente a chave para a sua plena e completa compreensão.

3. É óbvio que exatamente este elemento do antigo texto bíblico oferece à teologia do corpo um contributo específico, do qual não se pode de nenhum modo prescindir. É o que nos confirmam as análises seguintes. Mas, antes de a elas nos lançarmos, permito-me observar que precisamente o texto de Génesis 2, 25 exige expressamente que se liguem as reflexões sobre a teologia do corpo, com a dimensão da subjetividade pessoal do homem; é neste âmbito, de facto, que se desenvolve a consciência do significado do corpo. Génesis 2, 25 fala deste significado de modo muito mais direto do que fazem as outras partes do texto javista, que já definimos como primeira registação da consciência humana. A frase, segundo a qual os primeiros seres humanos, homem e mulher, «estavam nus», mas «não tinham vergonha», descreve indubiamente o estado de consciência de ambos, mais, a sua recíproca experiência do corpo, isto é, a experiência por parte do homem da feminilidade que se revela na nudez do corpo e, reciprocamente, a análoga experiência da masculinidade por parte da mulher. Afirmando que «não tinham vergonha», o autor procura descrever esta recíproca experiência do corpo com a máxima precisão que lhe é possível. Pode dizer-se que este tipo de precisão reflete uma experiência basilar do homem em sentido «comum» e pré-científico, mas corresponde também às exigências da antropologia e em particular da antropologia contemporânea, pronta a apelar para as chamadas experiências de fundo, como a experiência do pudor (1).

4. Aludindo aqui ao esmero da narrativa, quanto ele era possível ao autor do texto javista, somos levados a considerar os graus de experiência do homem «histórico» carregado com a herança do pecado, graus porém que metodologicamente partem em rigor do estado de inocência original. Já verificámos antes que, ao referir-se ao «princípio» (por nós aqui sujeito a sucessivas análises contextuais), Cristo estabelece de modo indirecto a ideia de continuidade e de relação entre aqueles dois estados, como se nos permitisse retroceder do limiar da pecaminosidade «histórica» do homem até à sua inocência original. Precisamente Génesis 2, 25 exige de modo particular que se ultrapasse aquele limiar. Fácil é descobrir como este passo, juntamente com o significado a ele inerente da nudez original, se insere no conjunto contextua) da narrativa javista. De fato, alguns versículos depois, o mesmo autor escreve: Então, abriram-se os olhos aos dois e, reconhecendo que estavam nus, prenderam folhas de figueira umas às outras e colocaram-nas como se fossem cinturões (Gén. 3, 7). O advérbio «então» indica novo momento e nova situação, consequentes à ruptura da primeira Aliança; é situação que vem depois da falência na prova ligada à árvore do conhecimento do bem e do mal, que ao mesmo tempo constituía a primeira prova de «obediência», isto é, de atenção à Palavra em toda a sua verdade e de aceitação do Amor, segundo a plenitude das exigências da Vontade criadora. Este novo momento ou nova situação comporta também novo conteúdo e nova qualidade da experiência do corpo, de maneira que já não se pode dizer: «estavam nus e não tinham vergonha». A vergonha é portanto aqui experiência não só original, mas «de confim».

5. É significativa, portanto, a diferença de formulações, que divide Génesis 2, 25 de Génesis 3, 7. No primeiro caso, «estavam nus, mas não tinham vergonha»; no segundo caso, «reconheceram que estavam nus». Quer então dizer que, num primeiro tempo, «não reconheceram que estavam nus»? que não sabiam e não viam reciprocamente a nudez dos seus corpos? A significativa transformação que nos é testemunhada pelo texto bíblico acerca da experiência da vergonha (de que fala ainda o Génesis, sobretudo em 3, 10-12), dá-se a um nível mais profundo que o puro e simples uso do sentido da vista. A análise comparativa entre Génesis 2, 25 e Génesis 3 leva necessariamente à conclusão de não tratar-se aqui da passagem do «não reconhecer» ao «reconhecer», mas duma radical mudança do significado da nudez original, da mulher diante do homem e do homem diante da mulher. Vem a mudança da consciência de ambos, como fruto da árvore da consciência do bem e do mal: Quem te disse que estavas nu? Comeste, porventura, algum dos frutos da árvore que te proibi comer? (Gén. 3, 11) . Tal mudança diz respeito diretamente à experiência do significado do próprio corpo diante do Criador e das criaturas. O que é confirmado pelas palavras do homem: Ouvi o ruído dos teus passos no jardim, e, cheio de medo, porque estou nu, escondi-me (Gén. 3, 10). Mas em particular aquela mudança, que o texto javista delineia de modo tão conciso e dramático, diz respeito diretamente, talvez do modo mais direto possível, à relação homem-mulher, feminilidade-masculinidade.

6. À análise desta transformação teremos de voltar ainda, noutras partes das nossas seguintes reflexões. Agora, chegados àquele confim que atravessa a esfera do «princípio» para que apelou Cristo, deveremos perguntar-nos se é possível reconstruir, dalgum modo, o significado original da nudez, que no Livro do Génesis forma o contexto próximo da doutrina acerca da unidade do ser humano enquanto macho e fêmea. Isto parece possível, se tomarmos como ponto referencial a experiência da vergonha do mesmo modo que ela, no antigo texto bíblico, foi claramente apresentada: como experiência «liminar». Procuraremos fazer uma tentativa dessa reconstrução, ao continuarmos as nossas meditações.

João Paulo II
12 de Dezembro de 1979
Copyright © Libreria Editrice Vaticana

#TdC 01: Em colóquio com Cristo sobre os fundamentos da família

1. Há tempos que estão em curso os preparativos para a próxima Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará em Roma no Outono do ano que vem. O tema do Sínodo «De muneribus familiae christianae» (Deveres da família cristã) concentra a nossa atenção nessa comunidade de vida humana e cristã, que desde o princípio é fundamental. Exatamente esta expressão «desde o princípio» empregou o Senhor Jesus no diálogo sobre o matrimónio referido pelo Evangelho de São Mateus e pelo de São Marcos. Queremos perguntar-nos que significa esta palavra «princípio» exatamente nesta circunstância e, portanto, propomo-nos análise mais precisa do referido texto da Sagrada Escritura.

2. Durante a conversa com os fariseus, que o interrogavam sobre a indissolubilidade do matrimónio, duas vezes se referiu Jesus Cristo ao «princípio». O diálogo decorreu da maneira seguinte:

Alguns fariseus, para O experimentarem, aproximaram-se d'Ele e disseram-lhe: «É permitido a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?». Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne? Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem». «Por que foi então, perguntaram eles, que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio ao repudiá-la?». «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim» (Mt. 19, 3 ss.; cfr. também Mc. 10, 2, ss.).

Cristo não aceita a discussão ao nível que os seus interlocutores procuram dar-lhe, em certo sentido não aprova a dimensão que eles se esforçam por conferir ao problema. Evita embrenhar-se nas controvérsias jurídico-casuísticas; e, em vez disso, apela duas vezes para o «princípio». Procedendo assim, faz clara referência às palavras sobre a matéria no Livro do Génesis, que também os seus interlocutores sabem de cor. Dessas palavras da revelação antiquíssima, tira Cristo a conclusão, e o diálogo termina.

3. «Princípio» significa portanto aquilo de que fala o Livro do Génesis. É portanto o Génesis1, 27 que cita Cristo, em forma resumida: O Criador desde o princípio fê-los homem e mulher; mas o trecho originário completo soa textualmente assim: Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Em seguida, o Mestre refere-se ao Gênesis 2, 24: Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne. Citando estas palavras quase «in extenso», por inteiro, Cristo dá-lhes ainda mais explícito significado normativo (dado que era admissível a hipótese de no Livro do Génesis figurarem como afirmações unicamente de factos: «Deixará ... unir-se-á ... serão uma só carne»). O significado normativo determina-se uma vez que não se limita Cristo somente à citação em si, mas acrescenta: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem». Este «não o separe» é determinante. A luz desta palavra de Cristo, o Gênesis 2, 24 enuncia o princípio da unidade e indissolubilidade do matrimónio como sendo o próprio conteúdo da palavra de Deus, expressa na mais antiga revelação.

4. Poder-se-ia, nesta altura, defender que o problema está terminado, que as palavras de Jesus Cristo confirmam a lei eterna, formulada e instituída por Deus «desde o princípio», desde a criação do homem. Poderia também parecer que o Mestre, ao confirmar esta lei primordial do Criador, não faz senão estabelecer exclusivamente o próprio sentido normativo dela, apelando para a autoridade mesma do primeiro Legislador. Todavia, aquela expressão significativa «desde o princípio», repetida por Cristo, leva claramente os interlocutores a refletirem sobre o modo como no mistério da criação foi moldado o homem, precisamente como «homem e mulher», para se compreender corretamente o sentido normativo das palavras do Génesis. Ora isto não tem menor valor para os interlocutores de hoje do que teve para os de então. Portanto, no presente estudo, considerando tudo isto, devemos colocar-nos exatamente na posição dos atuais interlocutores de Cristo.

5. Durante as sucessivas reflexões das quartas-feiras, nas audiências gerais, procuraremos, como atuais interlocutores de Cristo, deter-nos demoradamente nas palavras de São Mateus (19, 3 ss.). Para responder à indicação, que encerrou Cristo nelas, procuraremos penetrar naquele «princípio», a que Ele se referiu de modo tão significativo; e assim seguiremos de longe o grande trabalho, que sobre este tema, agora precisamente, empreendem os participantes no próximo Sínodo dos Bispos. Ao lado destes, tomam parte nele numerosos grupos de pastores e até de leigos, que sentem especial responsabilidade acerca das obrigações impostas por Cristo ao matrimónio e à família cristã: as obrigações que Ele impôs sempre, e ainda impõe na nossa época, no mundo contemporâneo.

O ciclo de reflexões que iniciamos hoje, com a intenção de continuá-lo durante os seguintes encontros das quartas-feiras, tem ainda, além do mais, como finalidade, por assim dizer,acompanhar de longe os trabalhos preparatórios do Sínodo, não entrando porém diretamente no seu tema, embora dirigindo a atenção para as raízes profundas de que ele brota.

João Paulo II,
5 de Setembro de 1979
Copyright © Libreria Editrice Vaticana

A Teologia do Corpo de João Paulo II

A Teologia do Corpo (TdC) é o nome dado pelo próprio Papa João Paulo II como título de trabalho para suas primeiras catequeses, ministradas entre 1979 e 1984, durante as Audiências Gerais, nas quais o Santo Padre, seguindo seus predecessores, ensinava algum aspecto da Doutrina Católica.

DO QUE SE TRATA?

No início do seu Pontificado, durante as audiências de quarta-feira, o Santo Padre meditou por mais de 4 anos sobre o amor humano em seus vários aspectos: a relação do homem e da mulher, o significado esponsal do corpo humano, a natureza e missão da família, o matrimônio, o celibato, a luta espiritual do coração do homem, a linguagem profética do corpo humano, o amor conjugal, entre outros. O Papa João Paulo II, com um novo ardor e uma visão totalmente inovadora, nos dá esta boa nova que merece ser conhecida e vivida!

POR QUE ESTES TEMAS, ESPECIFICAMENTE?

A escolha do Papa João Paulo II de tratar destes temas, antes de qualquer outro assunto, foi uma grande graça para toda a Igreja, e somente podemos ver a Providência nesta escolha. Como homem de Deus e um profeta, sabia que antes que qualquer outro fundamento, era necessário priorizar estes, para uma sociedade que estava se autodestruindo. E ele o fez! Ele nos deu de presente estes ensinamentos.

COMO CONHECER MELHOR A TdC?

Semanalmente, aos sábados e domingos, postaremos no blog da RCCACARI, as catequeses do Beato João Paulo II sobre a TdC.

O internauta é convidado a acompanhar no blog as palavras do pontífice e aprender um pouco mais sobre o plano de Deus para o homem.

FONTE: Teologia do Corpo Brasil.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A cruz e a Nova Evangelização

Ao falarmos de Nova Evangelização, é comum que pensemos logo em estratégias para tornar a Boa Nova mais conhecida, em novas metodologias para a transmissão da fé, o que é muito importante. Entretanto, é a pregação sobre a cruz de Cristo o elemento que dá força para a nossa evangelização transformar o mundo.

O capítulo 24 do Evangelho de São Lucas narra o envio missionário de Jesus aos apóstolos antes da Sua ascensão. Nesse envio, Ele une, de forma indissociável, a Sagrada Escritura, o anúncio da Sua morte e ressurreição e a pregação do arrependimento para a remissão dos pecados. E, ainda mais, nesses elementos, Jesus descreve a missão da Igreja e o sentido de Pentecostes: “Disto vós sois testemunhas! Eis que eu vos enviarei o que o meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto” (Lc 24, 48-49).

Já no livro dos Atos dos Apóstolos, se analisarmos os discursos de Pedro e Paulo, veremos que a centralidade da pregação salvadora e do chamado dos homens ao arrependimento para a remissão dos pecados se apoia nisto: “Vós crucificastes ao autor da vida e a Esse, Deus o constituiu Senhor e Cristo”; “Vós o crucificastes matando-O pela mão dos ímpios!” (cf. Atos 2,36; 2,23; 3,15-19...).

Diante dessa proclamação e da denúncia do pecado, os ouvintes respondem como se tivessem sido transpassados no coração por essas palavras, pelo arrependimento, pela conversão. Não pode existir verdadeira evangelização sem a pregação do Crucificado aos pecadores e sem o apelo ao arrependimento para a remissão dos pecados. E os ouvintes, diante do Juiz a quem eles mataram, devem voltar-se para Deus, abandonando os pecados e afastando-se deste mundo perverso (Cf. Atos 2,40): “Deus agora manda a todos os homens e em toda parte que se arrependam porque Ele fixou um dia no qual julgará o mundo com justiça por meio do homem a quem designou dando-lhe crédito diante de todos, ao ressuscitá-lo dentre os mortos” (Atos 17, 30-31).

Paulo foi consciente de que a mensagem da Cruz levantava oposição e “inimigos” (cf. Fil 3,18ss), tanto dentro da Igreja como fora dela. Mesmo assim, ele se manteve firme na proclamação da Cruz em todo o seu ministério. Para ele, essa proclamação era questão de vida ou morte do Evangelho e da sua eficácia salvadora: “Cristo me enviou para anunciar o Evangelho sem recorrer à sabedoria da linguagem para que não se torne inútil a cruz de Cristo” (I Cor 1, 17). Inútil, nesse texto, significa esvaziada, estéril, inócua: “A fim de que a vossa fé não se baseie sobre a sabedoria dos homens, mas sobre o poder de Deus” (I Cor 2,5). Cristo Crucificado, que é poder e sabedoria de Deus, é fraqueza e blasfêmia para os judeus, é estupidez e loucura para os pagãos.

Para os membros da RCC é conveniente lembrar que, como para Paulo em Gálatas, tanto a adesão à fé, como a experiência do Espírito Santo e dos carismas, têm uma condição que não pode ser removida: “Jesus Cristo Crucificado” (Gal 3, 1-5). A missão não é possível sem o anúncio poderoso da Cruz de Cristo. Ou, falando de outra forma: o acesso à salvação pelo arrependimento para a remissão dos pecados não tem outro caminho senão Cristo Crucificado. O contrário disso é evangelizar no deserto, na areia, na esterilidade pastoral, no cansaço dos evangelizadores ansiosos e desanimados.

Diante do Sínodo da Nova Evangelização que acontecerá em próximo outubro, diante da Porta da Fé, na abertura do Ano da Fé, temos que ter clareza e reafirmar sem vacilações a necessidade da pregação da Cruz de Cristo para não perdermos tempo, não fazermos inúteis estes eventos transcendentais para a Igreja nos próximos meses e anos: “A Igreja, em definitiva, peregrina entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo, anunciando a Cruz do Senhor até a sua vinda” (LG, 8).

Como conclusões para a nossa evangelização, hoje, vemos que a pregação da Cruz se dilui e fica esterilizada. Percebe-se um esforço de apresentar de modo formal a salvação de Deus, sem apoiá-la na Cruz. A falta de fecundidade pastoral se deve, sem dúvida, à subtração da Cruz do cenário da evangelização.

Por outra parte, o “arrependimento para a remissão dos pecados”, que deve brotar ao contato com a Cruz, fica falsificado em conversões éticas, voluntaristas, ao invés da autenticidade teologal da comunhão com Cristo Crucificado donde brota a graça da fé, da contrição, da “convicção do pecado” que o Espírito, testemunha de Jesus, comunica necessariamente.

Não poderá haver nova evangelização se, como Paulo, “não nos envergonhamos do evangelho, força de salvação para todo o que crê” (Rom 1,16). Essa força é Cristo Crucificado.

E a vergonha dos inimigos da Cruz de Cristo surge precisamente na hora de pregá-la. Uma evangelização com sinais e carismas não acontecerá, como Paulo nos ensina em Gálatas, se nosso alicerce não for a Cruz de Cristo.

Para terminar, só a evangelização que coloca sua única glória na Cruz está em condições de transformar o mundo. Essa é a nossa vitória!

Dom José Luis Azcona
Bispo da Prelazia do Marajó

RCC presente no Seminário Nacional de Juventude e Missão da CNBB

No último final de semana, em Brasília/DF, aconteceu o Seminário Nacional de Juventude e Missão, promovido pelo Setor da Juventude da CNBB. Estiveram presentes todas as expressões da Igreja que trabalham com a evangelização da juventude. Pastorais, movimentos, congregações e novas comunidades.

Aproximadamente, 250 pessoas de todas as regiões do Brasil se fizeram presentes. A partir da temática sobre missionariedade, o objetivo o evento era apresentar linhas gerais sobre a Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil junto a juventude, além de partilhar o que os movimentos, pastorais e novas comunidades tem realizado de concreto no campo de missão.

A RCCBRASIL esteve representada por alguns coordenadores estaduais do Ministério Jovem e por membros da comissão nacional de missão do Ministério Jovem. No total,mais de 20 jovens lideranças da RCC participaram do evento.  O responsável pela Comissão de Missão da Juventude, Ruy Lima e a responsável pelo Serviço Vocacional da RCCBRASIL e pelas Casas de Missão, Daniele Cesário, puderam, a partir da apresentação de um vídeo sobre a Missão Marajó, explanar sobre as frentes e iniciativas de missão do Movimento.

Sobre a oportunidade de apresentação dos trabalhos, Daniele ressaltou a importância de tais momentos para a divulgação das ações: "Impressionados e surpresos, alguns padres e jovens vieram nos procurar manifestando a satisfação por conhecer essas ações realizadas pela RCC e que muitos, nem imaginavam que acontecessem", disse.

Outro  momento marcante do Seminário, foi o anúncio de uma próxima edição do encontro, no ano de 2014, que acontecerá na Amazônia contará com a possibilidade da programação incluir atividades missionárias na região. Tal perspectiva, animou os jovens presentes principalmente os da RCC. "Cristo aponta para Amazônia, já dizia o Papa Paulo VI. Como amazônida que sou, além de vibrar junto com os outros jovens com o anúncio, louvei a Deus pela RCC já ter assumido a região amazônica como terra de missão Ad Gentes", declarou Ruy Lima.

Além da Missão Marajó, outro projeto da RCC que chamou a atenção dos participantes do Seminário foi a 'Missão Jesus no litoral'. nos grupos de trabalho, os jovens carismáticos partilharam sobre essa iniciativa e destacaram que, a partir dela, diversas outras ações missionárias acabaram surgindo dentro do Movimento.

Esse foi o terceiro evento da série de Seminários Nacionais que, no decorrer de 2012, o Setor Juventude da CNBB vem realizando, em prol a JMJ RIO 2013.

FONTE: RCC Brasil.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

“Avança para águas profundas” (Lc 5, 4)

Ao vislumbrar o terceiro milênio da cristandade, o Papa João Paulo II convocou os cristãos para "pescar em águas mais profundas", onde se encontram peixes mais numerosos e maiores. João Paulo II e Bento XVI nos enviam para alto mar. E para isso é preciso estarmos preparados; o mar é bravio, podem surgir as tempestades a qualquer momento, ondas altas, vento forte, ameaçando virar a barca.

Não podemos mais ficar pescando na praia, com varinha de bambu, linha fina e anzol pequeno, pegando majubinha. Essa pesca é só de diversão, não é profissional. A evangelização, a conversão de almas para Deus, não é um passatempo; mas uma missão árdua, que precisa ser cumprida com esmero: preparo e oração. Não é fácil arrancar as presas dos dentes do lobo cruel e assassino. De um lado é preciso muita oração, adoração ao Santíssimo, participação na Eucaristia, intimidade com a Palavra de Deus e formação doutrinária. Jesus deixou claro: "Sem Mim nada podeis fazer" (Jo 15,5).

Quando os Apóstolos lançaram as redes “em Nome de Jesus”, elas se encheram de peixe. Não basta o preparo intelectual e logístico para a pesca de almas; é preciso mais, a fé e a graça de Deus. Mas é preciso também preparo com carinho. Paulo VI dizia que: “a mediocridade ofende o Espírito Santo”. Deus está pronto para mover os céus para realizar o que está além da nossa capacidade, mas não moverá uma palha para fazer o que depende de nós. Ele faz o grão germinar, mas jamais virá preparar o solo e nele lançar a semente.

O Papa João Paulo II, na vigília da Solenidade de Pentecostes no ano de 1998, mostrou a grande responsabilidade que tem hoje os novos Movimentos e as novas Comunidades: “No atual mundo, frequentemente dominado por uma cultura secularizada que fomenta e propaga modelos de vida sem Deus, a fé de tantos é colocada à dura prova e frequentemente sufocada e apagada. Adverte-se, portanto, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e profunda formação cristã... E, eis, portanto, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio no final do milênio. Vós sois esta providencial resposta”.

O mundo expulsa Deus cada vez mais, o ateísmo toma conta da cultura, da mídia, da moda, etc., a chama da fé é cada vez mais apagada nos lares, nas escolas e nas oficinas. O Papa pede, “uma sólida e profunda formação cristã”. Sem isso não será possível pescar em águas profundas. Em alto mar, é preciso barco grande, linha grossa, redes fortes. O mundo quer saber a razão da nossa fé (cf. IPe 3, 15) e muitos investem contra ela e contra a Igreja, com fúria.

por Professor Felipe Aquino
Escritor e apresentador na TV Canção Nova
FONTE: Revista Canção Nova – Maio 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

Conselho Nacional consagra nova presidência a Nossa Senhora Aparecida

A  tarde desse sábado (29) na reunião do Conselho Nacional da RCCBRASIL foi marcada por uma visita ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, onde ocorreu um ato de consagração da nova presidência eleita do Movimento à padroeira do Brasil.

O momento foi conduzido pelo assessor eclesiástico da RCC e arcebispo de Belém/PA, Dom Alberto Taveira, e aconteceu a pedido de Kátia Roldi Zavaris, que assume o cargo de presidente do Movimento em janeiro de 2013.

Em conversa com o Portal RCCBRASIL, Kátia ressaltou que a eleição na RCC não é um processo de escolha puramente humano, mas uma experiência de vivência dos carismas, na busca por se deixar direcionar pelo Espírito Santo. “Esse momento nos faz viver uma experiência do Senhorio de Jesus, pois sabemos que é a Sua mão poderosa que direciona todas as coisas. Meu coração está cheio de alegria e, como Maria, quero simplesmente dizer ‘eis me aqui, Senhor’“.

Em relação à missão de estar à frente do Movimento no Brasil, Kátia destacou a necessidade dos carismáticos serem agentes do Batismo no Espírito Santo: “Sinto que esse será um tempo de entregarmos, muitas vezes, nossas vidas nas mãos de Deus. Assim, seremos instrumentos 100% Dele e continuaremos difundindo a Cultura de Pentecostes no nosso país”.

A reunião do Conselho Nacional segue até domingo (30).

Fonte: RCC Brasil.

Eleita nova presidente do Conselho Nacional

O Conselho Nacional da Renovação Carismática Católica do Brasil, reunido em assembleia ordinária desde ontem em Aparecida/SP, elegeu sua nova presidente na manhã de hoje. Kátia Roldi Zavaris é do estado do Espírito Santo e, atualmente, exerce a função de primeira secretária do Conselho. Ela foi escolhida para estar à frente do Movimento entre os anos de 2013 e 2016.

Participaram desse processo de discernimento os 27 presidentes dos conselhos estaduais da RCC.

A reunião do Conselho Nacional segue até domingo (30).

FONTE: RCC Brasil.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Começa hoje o Seminário Missão e Juventude em Brasília

MISSAOEJUVENTUDE

Tem início hoje em Brasília, o Seminário Juventude e Missão, o terceiro de uma série de seminários propostos pela CNBB. Os primeiros falaram sobre comunicação e bioética e o último finaliza com o tema “A alegria de ser jovem, discípulo missionário de Cristo”.

Em parceria com as Pontifícias Obras Missionárias o seminário ‘Missão e Juventude’, tem como objetivo propiciar um momento de preparação para a Semana Missionária que antecede a JMJ Rio 2013. A expectativa é reunir cerca de 300 jovens de todo o país, em Brasília, nos dias 28 a 30 de setembro.

Para o secretário nacional da Pontifícia Obra Propagação e Fé, Padre Marcelo Gualberto, o seminário também é uma oportunidade de conscientizar os jovens sobre seu papel na sociedade.

“A Igreja do Brasil quer aproveitar este impulso da JMJ para conscientizar um pouco mais a juventude para diversas realidades. Quer fazer através das formações por todo Brasil que o jovem tome a consciência que ele pode e deve participar da ação da Igreja na História, que o jovem não é um mero expectador que assiste como que um filme apenas sentindo as emoções os sentimentos. A juventude deve ser protagonista em todos os âmbitos”, afirmou Padre Marcelo.

O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, padre Carlos Sávio, explica que a escolha do tema foi para aumentar o questionamento no que se diz respeito ao protagonismo jovem dentro da Igreja.

“O tema missão foi escolhido porque achamos que temos o dever de despertar nos jovens o sentido missionário que foi configurado com o batismo, onde fomos chamados a serem discípulos-missionários. Nós queremos que os jovens sejam protagonistas de sua própria missão e que eles a façam com a ajuda da Igreja”, disse Padre Sávio.

Cerca de 300 jovens fizeram inscrição para participar do seminário.

Mais informações sobre os últimos seminários realizados para juventude e sobre o Seminário Missão e Juventude podem ser encontradas no site www.jovensconectados.org.br

FONTE: A12.

Conselho Nacional reunido em Aparecida/SP

A partir desta sexta-feira (28), a cidade de Aparecida/SP acolhe os presidentes dos conselhos estaduais da RCC para mais uma edição da reunião ordinária do Conselho Nacional da RCCBRASIL. Além dos representantes das 27 unidades federativas, também estarão presentes os membros da presidência.

A reunião marcará a escolha do próximo presidente do Conselho Nacional. Outras pautas a serem tratadas durante as atividades serão as novas campanhas para 2013, prestação de contas, relatório da construção da Sede Nacional, os eventos já agendados e a Escola Nacional de Formação. Também será realizada uma visita ao terreno da Sede, em Canas/SP.

O encontro se estende até o domingo (30).